AgĂȘncias tradicionais + digitais
A Fire, diferente da grande maioria das agĂȘncias tradicionais, jĂĄ nasceu interativa. Para nĂłs o on e o off line caminham juntos e fazem parte de um mesmo bolo, embora completamente diferentes nas suas estruturas e formas de atuação. A integração das disciplinas hoje Ă© a base do sucesso de qualquer ação de comunicação. E isso nĂłs chamamos de multicomunicação. Algo ainda, por mais incrĂvel que pareça, incompreendido por muita gente, mas que fazemos desde o inĂcio da nossa histĂłria. Muitas das agĂȘncias tradicionais jĂĄ se deram conta das mudanças no comportamento do consumidor, que afetam diretamente a forma de se fazer propaganda e a mĂdia com um todo, nos forçando a buscar e criar a cada dia novas formas de contato. Reflexo disso Ă© que, com cada vez mais freqĂŒĂȘncia, agĂȘncias tradicionais partem Ă compra de empresas digitais para poder oferecer estes novos serviços aos clientes, mesmo sem entender muito bem este universo, sem ter a expertise e saber andar por suas vias com desenvoltura. Confira abaixo um artigo do Cezar Calligaris, diretor da Salem Digital, publicado no Webinsider, que fala um pouco sobre esta busca.
AgĂȘncias tradicionais abrindo ĂĄreas digitais: vai dar certo?
Pode parecer incrĂvel, mas da lista das 50 maiores agĂȘncias tradicionais do Brasil, pelo menos 10 sĂŁo tratadas por veĂculos digitais como pequenos anunciantes. Algumas dessas agĂȘncias chegam a nĂŁo ter nenhum cliente âdigitalâ.
A fatia digital da verba publicitĂĄria começou a ficar grande o suficiente para chamar a atenção dessas agĂȘncias. Ă por isso que, depois de anos de atraso e atĂ© de certo desprezo pelo meio digital, neste primeiro semestre de 2008 muitas agĂȘncias tradicionais abriram seus departamentos online. AlĂ©m da demanda dos clientes, pesquisas recentes tĂȘm mostrado que, fora do Brasil, as agĂȘncias tradicionais que adotaram o digital estĂŁo conseguindo ampliar suas receitas acima da mĂ©dia.
No exterior temos tambĂ©m uma nova geração de agĂȘncias que tĂȘm conseguido muito sucesso usando o digital como uma estratĂ©gia tĂŁo importante quanto a propaganda tradicional.
PorĂ©m, esse processo de âdigitalizaçãoâ Ă© bastante complexo. NĂŁo basta comprar uma empresa ou montar uma ĂĄrea e achar que ela vai funcionar automaticamente. Pelos fatores abaixo, nem todas as agĂȘncias tradicionais tĂȘm conseguido desenvolver com sucesso suas ĂĄreas digitais.
1) Diferenças de cultura e processos
Ao receber um briefing para uma campanha âclĂĄssicaâ, a agĂȘncia tradicional inicia a criação por duas peças: anĂșncio pĂĄgina dupla e filme de 30â. O problema Ă© que nem sempre o conceito criado para essas peças tem desenvolvimento no meio digital.
Outra grande diferença cultural Ă© a possibilidade de ajustes no meio do caminho. Quando se cria um anĂșncio, ele vai ser impresso e nĂŁo existe jeito de mudĂĄ-lo. No caso de um filme, devido aos custos de produção Ă© muito difĂcil alterĂĄ-lo. Quando se faz um trabalho online, Ă© possĂvel monitorĂĄ-lo e ajustĂĄ-lo no meio do caminho.
Por Ășltimo, abrir uma ĂĄrea digital significa trabalhar mais, ter uma estrutura consumindo recursos e, por enquanto, ganhar menos dinheiro. Ă nesse ponto que muitas agĂȘncias tĂȘm sido mal sucedidas, pois imaginam que uma estrutura pequena Ă© capaz de atender grandes trabalhos digitais de seus clientes. Sem um nĂșmero mĂnimo de pessoas, torna-se difĂcil viabilizar açÔes digitais.
2) Como cobrar dos clientes?
Imagine que vocĂȘ tem um cliente que investe por ano R$ 80 milhĂ”es. Sua agĂȘncia teria coragem de cobrar dele um hotsite que custa R$ 30 mil? Ă por isso que muitas agĂȘncias tĂȘm optado por criar ĂĄreas digitais como empresas separadas, mas que fazem parte do grupo de comunicação.
3) ConfusĂŁo entre agĂȘncias, produtoras e agĂȘncias digitais
AgĂȘncia planeja e cria, produtora executa. AgĂȘncia terceiriza, produtora tem equipe interna. AgĂȘncia compra mĂdia, produtora faz as peças que serĂŁo veiculadas. Seria fĂĄcil se fosse tĂŁo simples, mas a questĂŁo Ă© que agĂȘncias e produtoras nĂŁo respeitam esses limites. Em alguns casos, uma produtora que trabalha para uma agĂȘncia em um job pode ser chamada por um cliente para participar de uma concorrĂȘncia contra ela.
No meio do caminho, temos ainda as agĂȘncias digitais, agĂȘncias que fazem o papel da agĂȘncia tradicional sĂł que no meio digital. Ou seja, temos uma tripla concorrĂȘncia: agĂȘncias tradicionais X agĂȘncias digitais X produtoras. Ă uma cultura bem diferente da propaganda tradicional, onde os territĂłrios de cada um estĂŁo bem definidos.
4) Os clientes também não sabem o melhor caminho
Se esse cenĂĄrio Ă© confuso para os profissionais da ĂĄrea, os clientes tambĂ©m nĂŁo tĂȘm um procedimento comum.
Alguns alinham suas contas on e off numa mesma agĂȘncia, visando integrar a comunicação e facilitar os procedimentos administrativos. Outros preferem incentivar a competição e fazem questĂŁo de âcolocar os ovos em cestas separadasâ. Outros acreditam que existe uma empresa boa em cada disciplina e pulverizam sua comunicação: uma empresa compra mĂdia, outra faz campanhas, outra cuida do portal e outra dos links patrocinados.
A conclusĂŁo de todos esses fatores Ă© que, em um mundo ideal, deveria existir espaços para todos: as agĂȘncias cuidando da marca de seus clientes e as produtoras executando os trabalhos propostos das agĂȘncias. Um modelo que funciona com sucesso atĂ© hoje na propaganda. HĂĄ espaço atĂ© para agĂȘncias especializadas como existe hoje no mundo tradicional: uma empresa de marketing direto via SMS ou uma empresa especializada em relacionamento digital.
Mas como estamos em um mercado ainda em formação e a verba total ainda é pequena, cada participante do mercado acaba fazendo de tudo para pegar a parte dos seus concorrentes.
Respondendo Ă questĂŁo principal do artigo, que Ă© a capacidade de uma agĂȘncia tradicional se digitalizar, a resposta Ă© que ela tem total capacidade, desde que tenha paciĂȘncia e vontade para aceitar as mudanças culturais que o digital implica.
Da mesma maneira, pode acontecer até o inverso: acabamos de ter no Brasil um exemplo de um grupo digital comprando uma empresa de propaganda tradicional.





