A empresa norte-americana Grasshopper descobriu que 70% dos telespectadores que usam DVR pulam os comerciais da TV. Descobriu ainda que, quando fazem isso, as pessoas concentram sua atenção no centro do monitor.
Pensando nisso, criou um filme em que seu mascote aparece exatamente no meio da tela, sem se mexer uma vez sequer durante todo o comercial.
Assim que apareceram os primeiros sinais de que os serviços colaborativos teriam grande impacto sobre o modo com que se via e vivia a Internet, muita gente imaginou que poderia ir um pouco além: remunerar usuários para que eles estivesem mais dispostos a colaborar em alguns ambientes ao invés de fazê-lo em outros.
Na Wikipedia, por exemplo, as pessoas não ganham nada para postar e gerar conteúdo. Então, se eu criasse um serviço que pagasse o usuário por isso, ele preferiria contribuir em meu ambiente em detrimento de fazer isso na Wikipedia. Faria sentido, parecia óbvio, mas foi um fracasso.
A principal razão aí é que não foi considerada a única grande variável que importa nessa questão: o comportamento humano. Quando falamos de colaboração espontânea na web, estamos em uma esfera compotamental totalmente diferente de quando estamos sendo remunerados. Em geral, aceitamos perfeitamente realizar alguma tarefas gratuitamente simplesmente por um prazer social, como ajudar um vizinho em apuros, um desconhecido na rua. Isso nos torna “superiores” e de alguma maneira, torna a sociedade em débito conosco. Mas quando somos remunerados por isso, acionamos algum mecanismo que não nos permite fazer a mesma coisa sem que passemos por um filtro de avaliação de “trabalho vs remuneração”. O prazer, o senso de superioridade e débito desaparecem completamente e então entramos em um campo onde a remuneração de inexistente, passa a precisar ser alta o suficiente para que justifique nosso trabalho.
Em outras palavras, ou se paga muito, ou não se paga nada. E, de fato, a maioria dos serviços que tratam com remuneração da colaboração estão passando, de promessa inquestionável, ao fracasso inevitável. Essa e outras idéias de como alguns mecanismos humanos funcionam, bem ilustrados, com diversos exemplos e experimentos, estão no livro deDan Ariely: Previsivelmente Irracionail.
O eBaymontou na última quarta-feira em Nova York na 57th com a 5th uma exibição sobre tendências de compra para este final de ano. Elencou quatro grandes movimentos: “Retro Revival” (uma valorização de ítens vintage/usados num momento de restrição de consumo); “Eco Excellence” (uma orientação “verde” nas compras); “Savvy Splurging” (movimento de comprar menos coisas, de mais qualidade, que permitam o uso por várias temporadas e transcendam modismos) e “Shop Culture” (o consumo de bens culturais segue em alta). O PSFK esteve por lá e cobriu a exposição.
Quer conhecer mais sobre desejos de consumo? Então conheça o Tweetquero. O aplicativo registra desejos dos usuários do Twitter e separa para cada usuário tudo o que ele quer ganhar/comprar. Quem está por trás do desenvolvimento da ferramenta é a E.Life. Eles fazem monitoramento de marcas nas mídias sociais, descobrindo tudo que foi falado sobre um determinado assunto. Fique de olho.
Esta já é uma campanha com alguns meses, mas é absolutamente genial.A australiana Zuji, uma agência de viagens online, decidiu ajudar seus consumidores a economizar dinheiro para poderem viajar no final do ano.Para isso, pretendem criar uma série de produtos do cotidiano e venderem a apenas 10 centavos. Feijão é o primeiro deles. Produziram 10 mil latas de feijão, que foram vendidos em tendas e lojas montadas especialmente para a ação, as Zuji Bean Shops.A campanha contou com mídia impressa, outdoor, rádio e marketing direto, além de uma promoção que oferece 1 ano de suprimento de feijão. Segundo a empresa, isso pretende ser apenas a primeira parte de um esforço maior.Criada pela agência The Hallway/Happy Soldiers, a lógica da estratégia é que se as pessoas economizarem um pouco em cada produto do dia-a-dia, terão dinheiro para o que acreditam que todo mundo deve fazer: viajar mais. Fonte: Brainstorm #9
Faz anos que não vejo uma teoria tão afinada com a cultura da sociedade moderna. Se você não ler este post pode estar deixando de conhecer o mundo atual.
Estamos condicionados a pensar que mais é mais. Parece-nos uma verdade evidente – daquelas que não requerem demonstração – que quanto maior o número de opções maior é nossa liberdade e maior o nosso nivel geral de satisfação. Barry Schwartz, professor de Teoria Social e Ação Social da Universidade de Swarthmore, escreveu The Paradox of Choice: Why More is Less (O Paradoxo da Escolha – Porque menos é mais) para provar que podemos estar errados.
Dito claramente, nunca houve tantas opções e em tudo quanto nos nosso dias. Carros, telefones celulares, programas de computador, cremes dentais, filmes, blogs, livros, biscoitos, planos de seguro, bonecas, músicas, parques de diversões, marcas de margarina, páginas da internet, restaurantes, religiões e relacionamentos – virtualmente cada possibilidade da vida arrasta atrás de si uma miríade de opções e subopções que cruzam-se e multiplicam-se promiscuamente – coisa sem precedentes na história da civilização, em que se costumou definir o valor de cada coisa pela sua escassez.
“A maioria das pessoas acha que a diversidade de opções é uma coisa boa. Afinal de contas, associamos escolha com autonomia, controle, independência e resultados desejados. Na realidade não é esse o caso”.
O paradoxo, segundo Schwartz, é que pensamos que queremos mais escolhas, mas quanto mais opções temos menos satisfeitos ficamos. Os tempos de escassez são invariavelmente vistos nostalgicamente, e com algum acerto, como tempos mais felizes.
Schwartz identifica quatro possíveis razões para essa insatisfação com a diversidade de opções:
1. O custo da oportunidade. Nossas decisões são maculadas por uma vantagem específica que tivemos de abrir mão no ato de fazermos determinada escolha. Analisando duas opções, você pode acabar concluindo que cada uma oferece algo que a outra deixa de oferecer; você percebe que, escolhendo uma, você estará invariavelmente perdendo alguma coisa que a outra opção podia garantir. Trata-se do custo da oportunidade: quanto mais alternativas você considera, maiores os custos de oportunidade de uma decisão.
2. Arrependimento. Há também o peso das opções integrais que deixamos de fazer. “Se aceito um emprego com um bom salário, posso me arrepender de não ter aceito um emprego numa boa localização. Posso me arrepender até mesmo de não esperar por um emprego hipotético com uma boa localização e um bom salário. Todas as outras possibilidades diminuem o prazer da minhas escolha”.
3. Capacidade de adaptação. Nossa capacidade de adaptação pode também trabalhar contra nós, quando uma decisão que parecia a princípio empolgante e inteiramente satisfatória perde gradualmente o brilho, ao ponto de deixar-nos insatisfeitos com a escolha original.
4. O peso da comparação. Finalmente, como estamos constantemente comparando-nos com as outras pessoas, acabamos concluindo sempre – e com todo o acerto – que alguém sempre está sempre em situação mais favorável.
Com base em como encaram a diversidade de opções, Schwartz divide as pessoas entre maximizadores e satisfazedores. Os maximizadores buscam incessamente e a qualquer custo a opção mais vantajosa – vasculham todas as lojas de todos os shoppings até encontrar o sapato que oferece o melhor custo-benefício. Os satisfazedores, por outro lado, procuram uma opção que lhes pareça satisfatória para o critério que determinaram para si mesmos. Assim que encontram uma opção que lhes pareça boa, param de procurar.
A evidência é de que não apenas os maximizadores gastam uma parcela muito significativa do seu tempo fazendo decisões, mas tendem ainda a ser menos felizes com as decisões que fizeram. Gastam mais tempo arrependendo-se e comparando-se com os outros ao seu redor, torturando-se com as opções mais vantajosas do que a que fizeram.
O paradoxo está em que a diversidade de opções pode produzir não a liberdade, mas a paralisia. Texto retirado do Blog A bacia das Almas
E esse vídeo é sobre a palestra do autor no TED.